Criatividade? “Ahã, Cláudia, senta lá!”

Parece que alguns publicitários andam se esquecendo de uma questão importantíssima quando criam suas fabulosas campanhas – tornar público aquilo que é verdadeiro.

A questão é, se para vender o REAL é preciso criar o IRREAL – enganar, truncar, “maquiar”, subverter a palavra ou a imagem ao ponto do absurdo – é mais fácil adotar outra profissão que não a de publicitário; cineasta, por exemplo. É preciso lembrar que um anúncio, seja impresso, em rádio ou televisão NÃO É OBRA DE FICÇÃO, porque visa vender algo REAL, ainda que intangível, como um serviço. Filmes de cinema, novelas e desenhos animados são outra coisa, pois vendem o fruto da imaginação do autor, são fictícios, pois não se constatam na realidade na grande maioria das vezes, mas podendo até vir a sê-lo em alguns casos, como aqueles baseados em histórias reais. “É preciso separar o joio do trigo”.

Se a criatividade não permite aos “gênios da criação” bolarem algo dentro do mínimo de bom senso, ética e dos limites da razoabilidade, é preferível convencer o anunciante que os paga a procurar outro. Se o publicitário não consegue convencer o anunciante da sua linha de raciocínio e estratégia para percepção do consumidor, é melhor mudar de cliente, pois ou o cliente é franco atirador, ou o publicitário o é. E sabe-se que em filme de Bang Bang, sempre sai alguém ferido – ora o cliente, ora o publicitário, mas muito mais comumente o consumidor. Se a própria palavra do publicitário, ao fazer seu juramento de colação de grau, é facilmente atropelada pelo seu desejo de captar uma conta, imagine o que ele venderá. Com as devidas exceções, o que falta a muitos publicitários não é cliente, é engajamento com a REALIDADE.

Eis o “Juramento do Curso de Publicidade e Propaganda”

Como Publicitário, juro buscar meus ideais, seguindo a meta de trabalho que livremente escolhi. E da mesma maneira, comunicar com ética, honestidade e responsabilidade aquilo que me foi transmitido. Juro remover todos os obstáculos que impeçam a aproximação cada vez maior entre os seres, e fazer com que possam compreender a transcendência da comunicação e sua função na sociedade e na humanidade. Eu juro.

                    Eis o que se faz…

Vídeo de um consumidor que se sente enganado pela Bauduco.

Vídeo sobre propaganda enganosa nos EUA, em que tudo é lindo e cheio de blueberries (fruta típica americana chamada mirtilo-azul), mas que na realidade se colocava corante de várias cores derivados de petróleo em tudo. Não há legenda, infelizmente, mas as imagens dizem tudo.

Sobre João Viégas

Consultor e professor de Pós-graduação e MBA em Marketing e Comunicação, autor e editor do livro 'tempo.com - A comunicação esquecida em tempos de Internet', articulista da revista Moda Brasil Magazine, palestrante em comunicação e professor de Língua Inglesa.
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