Atrás daquele Belo Monte tinha um ninho de magafagafa.

Hoje foi concedida a licença de instalação que autoriza a construção integral da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no Pará. Independentemente de como isso tudo afetará o meio ambiente, causando danos às áreas circunscritas ao perímetro de impacto, podendo dizimar espécies e causar sofrimento a milhares de indivíduos, é necessário que todos os brasileiros que agora se encontram indignados com todo o processo, por razões absolutamente justas, se lembrem de que para arrumar, muitas vezes, é preciso bagunçar. E também, por mais que existam interesses escusos nessa instalação, não é a primeira nem a última vez que isso acontecerá na história do Brasil sob o respaldo de esquemas ilícitos de empreiteiras, políticos, partidos, latifundiários, magnatas, etc.

Quando anunciaram que Belo Horizonte receberia a Copa do Mundo, fiquei indignado com o fato de que o dinheiro que seria empregado em estádios e tudo mais poderia ser repassado para a educação, saúde e segurança – o famoso tripé. Achava um absurdo que fosse necessário uma paixão por um esporte, como o futebol, para servir de mola propulsora das mudanças que Belo Horizonte precisa há mais de 20 anos e que, no entanto, não saíram de papéis, discursos eleitoreiros e bravatas partidárias.

O que quero dizer é que o ser humano, em geral, ainda não dá conta de fazer grandes transformações movido pelo objetivo de bem maior. Com raríssimas exceções e de forma muito local, alguns cidadãos saem de sua zona de conforto para fazer um gesto de caridade a alguém em sofrimento à sua própria porta. Desta forma, precisamos entender que os processos evolutivos pelos quais atravessamos nos requerem qualidades que muitas vezes não dispomos mas que exatamente através desses mesmos processos as adquiriremos.

No momento em que o ecossistema e as comunidades da região forem sendo afetadas pela construção da usina, a lei do movimento fará com que tudo isso se mova e se ADAPTE. Pois é isso que precisamos para tudo na vida – adaptação e movimento. Todos aqueles que se esqueceram de importantes construções e melhorias de uso individual e coletivo como a própria usina de Itaipu, todas as estradas, aeroportos, estádios, escolas, a ponte Rio Niterói, Furnas, a cidade de Brasília, a sua própria casa e sua garagem, estão se esquecendo que tudo isso afetou desde um microsistema (um ninho de formigas) até um macrosistema (como a bacia do Prata onde se localiza Itaipu, que na realidade forma um ecossistema gigantesco dentro do Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia).

Querer que tudo seja feito em condições ótimas é ótimo, mas algo inatingível ainda para os nossos poderes, as coisas não se dão assim. Prefiro acreditar no bem que existe em tudo que por hora se apresenta como um mal, do que malfadar algo que futuramente possa “salvar a minha ou a lavoura de muita gente”. Comecemos, então, as melhores mudanças por um buraco muito menor, o da urna.

Sobre João Viégas

Consultor e professor de Pós-graduação e MBA em Marketing e Comunicação, autor e editor do livro 'tempo.com - A comunicação esquecida em tempos de Internet', articulista da revista Moda Brasil Magazine, palestrante em comunicação e professor de Língua Inglesa.
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2 respostas para Atrás daquele Belo Monte tinha um ninho de magafagafa.

  1. Blz João!?
    Sobre os impactos da Copa 2014 estamos mobilizando a sociedade e a população. É preciso entender que todos seremos atingidos e os legados que o Comitê Organizador prevê estão longe da realidade. Veja ai: http://www.atingidoscopa2014.wordpress.com
    Junte-se a nós!
    Abç,
    Fidélis

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    • joaoviegas disse:

      Grande Fidélis, que prazer ter seu tempo de leitura no meu texto. Amigo, concordo que toda essa coisa, seja na Copa, seja em Belo Monte, trarão muitas coisas difíceis para todos, como disse no meu texto, mas estou sempre a favor de me juntar àqueles que estejam afim de lutar pelo que é bom e justo. É só me dizer o que você(s) têm em mente. Grande abraço!

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