Uma banana pelo mamão de Evaristo Costa

Desde ontem, vários portais da internet, como o YAHOO e o UOL, sem falar nas redes sociais, estão divulgando o vídeo do Jornal Hoje em que o apresentador Evaristo Costa abre uma reportagem sobre o fruto mamão, fazendo uma piadinha com a Sandra Annenberg, piada que ele mesmo disse ser velha para o primeiro dia útil do ano. Veja abaixo.

Gostou? Engraçado, não é? Também achei. Aliás, achei hilário, como muita gente, mas por um motivo diferente.

Quem é da área de comunicação e estuda os recursos que o jornalismo global tem empregado para conquistar a audiência perdida para os concorrentes e para o crescimento da mídia digital, sabe do que estou falando – o “showrnalismo” – palavra empregada como título do livro de José Arbex Jr., que mostra a espetacularização da notícia – “a mídia como espetáculo” – subtítulo do livro em questão.

Não que Evaristo não seja legal, descontraído, bacana, bem-humorado.  “Deve que é”, como diria uma amiga, genuinamente engraçada, ao querer dizer “dever ser”. Longe disso, descontração é sempre bom, desopila o fígado, dizem. A questão aqui é o recurso usado no contexto. Falas, diálogos, sorrisos, caras fechadas, arfadas de descontentamento, muxoxo e muitas outras expressões verbais e não-verbais são recursos e estratégias comunicacionais comuns a todos nós, mas, naquele momento, na minha opinião, representaram o interesse do produtor de conteúdo, no caso, o Jornal Hoje/Rede Globo; teatro puro. Além do mais, a Sandra é atriz, já fez novelas, minisséries e até comercial do McDonald’s. E qual o interesse da direção da Globo? Conquistar a recém-promovida classe C (antiga D) pela proximidade, “naturalidade” e simplicidade para manipulá-la sem feri-la, quando a hora disso chegar. Não que não prestem serviço útil com boas matérias também. Querem ficar descolados, vamos dizer assim. E não são só os da Globo, são todos. Estão tão descolados que todos se levantaram de suas bancadas e se mostram ali, ó, bem pertinho de nós. Até o Jornal das Dez, pasmem. Faltam o Bonner e a Fátima. Se estes se levantarem, olha… é porque estão levando a coisa às últimas consequências. Se bobear, quando o calor chegar pra valer, aparecem o Bonner de bermudas e camiseta, a Fátima de rabo de cavalo, jeans coladinho, ou calça spandex e top, com salto de acrílico e o Zeca Pagodinho de comentarista tomando uma Brahma. Brincadeiras à parte, você pode estar pensando: “Ai, credo, que implicância por nada, assim é muito mais legal mesmo… é descontraído e tal… do que aquela cara fechada de zumbi que o Cid Moreira tinha, né?” É, também acho, quando é verdadeiro e sem a intenção de fazer os outros de bobo, como os meios de comunicação costumam fazer desde sempre. Só espero que, no final de suas carreiras, eles não venham a público, 22 anos depois, como acaba de fazer o ex-bambambam da Globo, Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. Nossa, que nome imponente!), que confessou ter manipulado o eleitorado brasileiro ao produzir a imagem do Collor nos debates presidenciais de 1989, descaradamente, a pedido de um assessor do candidato, ignorando a premissa básica de imparcialidade na transmissão da notícia, produzindo até o suor na gola da camisa do candidato, entortando sua gravata para dar um ar de “ah! pros coco parece que é do povo“, colocando pastas com folhas em branco dentro e mostrando ao público como se fossem dossiês contra o Lula, fatos estes confessados por ele em entrevista ao vivo, recentemente. Pior, depois vir o Faustão em seu programa fazer propaganda do livro do Boni, dizendo que ele é “o maior, se não um dos maiores (um monstro sagrado, meu) diretores, executivos e atletas de alcova da televisão brasileira, biichuuu!”. Dizer que isso faz parte do negócio? Cansei desse negócio assim, passou da hora de mudar essa COISA chamada produção de informação.

Quando eu quiser assistir a um show, a um espetáculo de verdade, eu compro um ingresso e vou, ou compro um DVD depois. Então, ó, uma banana para ele (Boni), para o Evaristo e para a Sandra, tá? “Ai, que deselegante!”, diria Sandra. Não, não, querida! Não é isso, é pra juntar com o mamão do Evaristo e fazer uma salada de frutas. Que mente poluída a sua, hein? Êta! Sou só bem-humorado… credo… num gosta de banana, toma uva então… chupa que é de uva. Quê? Num  me olha assim! Te embananei toda com esse cunversê, né? Fábio Jr. cantou Senta Aqui e ninguém falou nada. Iiii, piadinha, boba! Riririri! Caiu de novo!

(Aqui se discutiu a função do meio, suas características, ações e influência na sociedade, não as pessoas citadas, que fique bem claro.)

Sobre João Viégas

Consultor e professor de Pós-graduação e MBA em Marketing e Comunicação, autor e editor do livro 'tempo.com - A comunicação esquecida em tempos de Internet', articulista da revista Moda Brasil Magazine, palestrante em comunicação e professor de Língua Inglesa.
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4 respostas para Uma banana pelo mamão de Evaristo Costa

  1. Fabrício Verçosa disse:

    Ótima reflexão!

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  2. HELOISA VELLOSO COUTINHO disse:

    Também gostei, João. A TV tem por hábito nos fazer de bobos! O pior é que muita gente nem se toca!

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    • Na nossa área chamamos o que eu descrevi sobre o acontecido como “a mídia como atriz social”, e eu quis chamar atenção sobre esse evento, não recriminar por recriminar, embora essa prática seja realmente lastimável. Você bem disse – o pior é que muita gente nem se toca. Tomara que alguns abram os olhos. Abraço!

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