O superpoder do filme

Se você ainda está em dúvidas sobre assistir ou não ao novo filme do Superman (Man of Steel), antes que saia de cartaz, eu gostaria aqui de lhe dar alguns motivos para ver. Se você já viu, eu vou falar aqui de um superpoder do filme que talvez você tenha notado, mas não tenha pensado no que significa e como utilizar para você mesmo. Para isso, farei um paralelo aqui com a comunicação, objetivo maior do post e do blog.

Para começar, tecnologicamente falando, obviamente, o filme supera em muito o primeiro filme da sequência (1978). Ponto. Foram extremamente felizes pela escolha do ator, Henry Cavill, que, com certeza, deve ter pensado muito sobre o peso que teria que carregar ao interpretar um papel tão icônico e simbólico como esse, imortalizado por Christopher Reeve. O protagonista Henry, muito parecido fisionomicamente com Reeve, teve uma atuação muito boa, conseguindo representar na medida certa, ao meu ver, o drama de ser um estranho no mundo, da escolha sobre o uso de seus poderes e da responsabilidade que lhe competia. Para a mulherada, é um prato cheio. O cara não é pinta, é “bonito com força”, e o novo layout do uniforme segue a linha high tech emborrachada que temos visto já há alguns anos nos filmes do gênero.

O Homem de Aço chega a emocionar em alguns trechos, é ótimo entretenimento pela dinâmica que tem, com um elenco muito competente, que inclui Russel Crowe, Amy Adams, Kevin Costner, Diane Lane, Michael Shannon e Laurence Fishburne, além de uma trilha super especial de Hans Zimmer, como já sabemos. Mas o que mais chamou a minha atenção foi o poder do “como” que o filme tem. Dirigido por Zack Snyder, com roteiro de David S. Goyer, produção de Christopher Nolan (o mesmo de O Cavalheiro das Trevas), e história de ambos, o filme chama a atenção pelo “como”, pela forma em que foi contada, como foi reinventada, em tudo o que foi acrescido e revisitado. Sim, porque a história tem 25 anos e é massivamente conhecida, tinha tudo para ser só mais um remake, mas não é, na minha opinião. Esse novo filme tem o DNA, a forma, a linguagem de Snyder, Goyer e Nolan.

A linguagem (como ou forma) que utilizaram fez toda a diferença no filme, como faz em qualquer processo de comunicação. Não é o que dizemos que importa, na maioria das vezes, mas como dizemos. Postura corporal, tom de voz, vocabulário escolhido, local, momento, estado de espírito, gestual, referências prévias, etc., tudo isso forma a linguagem do que expressamos, e o sucesso em expressar-se repousa majestosamente nesse lado da balança – o da linguagem. É na linguagem que visualizamos a identidade de quem fala, o seio familiar (comunidade) de onde veio, o meio ao qual está inserido e como se posiciona como unidade pertencente a um todo.

A forma, o “como” é o nosso principal cartão de visitas, seja no trabalho, em casa, na rua, se manifestando, porque todos os símbolos e signos imersos no contexto têm não só seu significado primário, como também adquirem o significado daquele que fala, no momento em que se fala. Em toda comunicação, aquele que fala é o meio da comunicação e esta adquire os valores e qualidades assim que é expressa, como o rio, de cujas águas se tornam mais sujas ou mais limpas, dependendo de onde nascem, do que carregam consigo em seu leito e do que vão varrendo em suas margens no seu caminho. Não é à toa que a foz de um rio é também chamada de “boca do rio”. É quando chega ao oceano que ele conta por onde esteve, com quem esteve, o que viu e o que viveu pelo caminho.

Sobre João Viégas

Consultor e professor de Pós-graduação e MBA em Marketing e Comunicação, autor e editor do livro 'tempo.com - A comunicação esquecida em tempos de Internet', articulista da revista Moda Brasil Magazine, palestrante em comunicação e professor de Língua Inglesa.
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